Friday, September 11, 2009

A Teoria das Bolas

Boas Pffs!

Não, este post não têm nada que ver com testículos. Têm que ver com Amor e relações amorosas.

O verdadeiro Macho consegue - ao contrário de todos os outros - fazer com que a sua relação seja um crescendo constante de Amor, intimidade, descoberta, mistério, desafio, paixão, aventura e excitação em vez de ser um acumular de limitações, defesas, medos, compromissos, confortos, comodismos, discussões, acomodamentos, letargia, preguiça and all that jazz.

E como é que isto se faz? Bom, se ninguém nos ensinar pode demorar uma vida inteira a descobrir. Infelizmente não há uma disciplina na escola que nos ensine a Amar, a criar relações, a criar amizades, a relacionarmo-nos uns com os outros. Aquilo que é talvez o conhecimento mais fundamental da vida não nos é ensinado. Em grande parte porque pouca gente o tem. E antes de dar é preciso ter.

Uma das bases deste conhecimento é a compreensão profunda da mente masculina e feminina. Estudem e bebam a sabedoria do Mark.

Outra base é compreender os fundamentos bases de uma relação saudável e feliz. E este fundamento é algo que eu amorosamente chamo de Teoria das Bolas. Esta é a teoria mais fácil de compreender e aceitar mas mais complicada de colocar em prática.


A Teoria das Bolas

Nós somos bolas. Somos um microuniverso, estupidamente complexo e complicado de perceber. E normalmente - devido à falta de ligação profunda à nossa alma - somos bolas esburacadas. Temos vazios interiores. Temos brechas. Há partes que nos faltam como um braço.




Permitam-me uma ilustração: imaginemos uma putativa Charlize. A Charlize é uma bola redondinha que apresenta um buraco em forma de triângulo. Esse buraco é a falta de Amor na sua vida. É aquele vazio interior, aquela angustia nas noites de solidão, aquela parte que - por baixo do sorriso, segurança e altivez que tão bem mostra ao mundo - sente sempre falta que a segurem, abracem, apertem, mimem e Amem. A Charlize anda no mundo em busca de um triângulo que tape o seu buraco (no pun intended).



Vejamos agora o putatitvo Reynaldo. O Reynaldo é uma bola rechonchuda que sangra por um buraco em forma de quadrado. Falta-lhe aquele quadrado desde que o seu primeiro Amor se foi. Nunca mais conseguiu amar ninguém da mesma forma e ele continua a vitimizar-se e a ter pena de si mesmo, procurando sempre um quadrado que possa vir substituir a hemorragia que dilacera o mais profundo do seu ser.

Um dia o Reynaldo conhece a Charlize e apaixonam-se. Ao início existe uma energia muito especial na relação, musicas, declarações, fazer amor em todo o lado e mais algum, florzinhas e passarinhos a cantar. Um nojo. Mas um nojo feliz. Passado muito pouco tempo, esta energia vai-se e o imberbe casal - não sabendo mantê-la por si só - começa a ter medo. E tendo medo começam a definir limites e a estabelecer compromissos.

O Reynaldo é - estruturalmente - um hexágono. A Charlize é - estruturalmente um pentágono. Isso não impedirá que a Charlize enfie e empurre com força o hexagono que é o Reynaldo para dentro do seu triângulo, tapando assim o seu buraco, obtendo assim uma sensação de segurança e completude. O Reynaldo fará o mesmo. Afinal um pentágono é quase um quadrado, basta apertar um bocadinho ali umas arestas e voilá. Ela cabe lá dentro perfeitamente.

E assim a Charlize potencia uma mudança gradual no Reynaldo e o Reynaldo potencia uma mudança gradual na Charlyze. Ambos são uns maricas. Têm medo de sofrer e magoar-se. Como tal vão discutindo, delineando, dialogando e limando arestas. Vão-se adaptando aos medos um do outro. Vão começando a ceder e a ajustar-se ao que o outro precisa, quer e deseja. Vão-se perdendo e misturando um no outro.

Muito rapidamente a Charlize deixa de ser a Charlize para passar a ser a "Namorada do Reynaldo", e o Reynaldo deixa de ser o Reynaldo para passar a ser o "Namorado da Charlize". Muito rapidamente deixam de ser "eu" para passarem a ser "nós".

A bola da Charlize e a bola do Reynaldo misturam-se e são agora uma nova bola conjunta, com novos buracos produzidos pelos espaços que não foram preenchidos pelas respectivas formas, com novas consciências, crenças, formas de ser e de estar. Com novos medos, inseguranças e ilusões. E assim é traçada a estrada para a morte da relação.

Se esta relação terminar, um deles - ou ambos - vão ficar na merda. Geralmente uma das bolas domina e, se essa bola se liberta desta mescla agora criada, a bola que resta nem é uma bola. Grande parte da sua identidade estava presa à relação. A morte da relação é a morte de uma grande parte do "Eu" com quem aquela pessoa se identificava. É ficar sem chão, é ficar podre, é ficar vazio.

E mesmo que a relação não morra, ela vai sempre ser parca de novas experiências, de aventura, de paixão, de excitação. Isto porque o Reynaldo apaixonou-se pela Charlize e não pela "namorada do Reynaldo", e a Charlize apaixonou-se pelo Reynaldo e não pelo "namorado da Charlize". Apaixonaram-se ambos lá no tempo em que ainda não havia medo. Mas depois - inconscientes deste processo - deixaram o medo ganhar controlo sobre as suas relações e mudaram o outro de acordo com isso, perdendo assim a pessoa por quem se apaixonaram.



A Teoria das Bolas diz que: Antes de entrar numa relação tens que ser uma bola completa, sem buracos. E ao entrar numa relação a tua companheira não vêm para cumprir necessidades ou tapar vazios na tua alma, logo não se vai misturar na tua bola. Tu és o Reynaldo e continuarás a ser o Reynaldo. Ela é a Charlize e continuará a ser a Charlize. E ao forjarem uma relação vai surgir à vossa volta uma nova bola que abarca as vossas duas bolas individualizadas. Esta nova bola é a relação e contém lá dentro duas bolas completas, a tua e a dela.

Nesta relação não é o medo que dita as regras mas sim o Amor. Não é o limar arestas mas sim aceitar os vértices. Não se apregoa o controle, a limitação, a definição e os compromissos, mas sim a espontaneidade, o risco, a aventura, o mistério, a sedução, a paixão e o Amor.

E isto não é sinónimo de distância. Nem é sinónimo de não se conversar, sentir e compreender um ao outro. Não é sinónimo de indiferença na relação. Pelo contrário. Esta é a fórmula base para construir uma relação profunda, intima, cúmplice e feliz.

Se esta relação terminar, vocês vão ficar tristes na mesma. Mas não vão ficar vazios. Porque a vossa bola contínua intacta, só se dissolve a bola da relação.

Uma relação assente na teoria das bolas é uma relação que não tende para o comodismo, mas sim para uma descoberta permanente. Para um apaixonar e reapaixonar constante. Para um potenciar e elevar o outro continuamente. Pelo respeito e aceitação das diferenças.

E é assim que se mantém uma relação viva. Fora do nosso espaço de conforto. É assim que se mantém a paixão viva, não a matando com o medo. É assim que continuamos a fazer amor mais de 3 vezes por semana, não nos acomodando e habituando um ao outro. Não querendo saber tudo, conhecer tudo, esmiuçar tudo. É assim que damos os primeiros passos para ser profundamente felizes.

Sei que esta teoria pode ser algo polémica. Pois opinai pequenitos, o Coach cá estará para responder.

How can a woman be expected to be happy with a man who insists on treating her as if she were a perfectly normal human being” - Oscar Wilde ...

12 comments:

  1. E já alguma vez encontraste alguma bola completa?

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  2. Eu digo que esta é uma teoria comunista das relações - perfeita na teoria, mas fácil de desmoronar na prática.
    Devido a um simples facto: raramente somos bolas completas.
    Logo, quando entramos numa relação teremos sempre vazios para preencher (se calhar porque desde pequeninos fomos pouco ensinados a ser auto-suficientes e quando crescemos aprendemos a focalizar as necessidades para um outro alguém).

    Posto isto, na minha visão de quem viveu muito tempo em função de uma pessoa e cuja razão de término foi exactamente ter deixado de saber quem era a RC, para ser apenas a namorada de Ex-RC, não quero precisar de alguém.
    Não quero uma relação de dependência, muito menos alguém que tape os buracos de personalidade que eventualmente possa ter.
    Não gosto de estar sozinha, gosto de estar apaixonada e claro, gosto de ser correspondida. Mas quem tem um vazio, por mais que tenha alguém, vai sempre sentir-se vazia e sozinha.

    Saber o que queremos na vida é meio caminho para o termos - o que custa é saber o que se quer. E eu sei, apesar de não ter.
    É assim.

    (fica o parco feedback, uma vez que caixinha de comentários quer-se sempre minimamente pequena)

    Abraço

    Rosa Cueca

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  3. Se existisse uma bola completa, ela não sentiria necessidade de ter uma relação. Ninguém tem a sua boa completa enquanto estiver só... logo o primeiro objectivo de uma relação é sempre encontrar a peça que falta no seu puzzle: o amor, a paixão, a companhia, o que lhe queiram chamar.

    Viver em função do outro tb é necessário numa relação... o problema é quando isso passa a dominar e a constituir toda a essencia da mesma. Mas não é possível cada bola, por se achar supostamente completa, viver apenas para si na companhia do outro, em vez de viver em comum e em simbiose.

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  4. Concordo com a Rosa Cueca e com a Destination.

    Isso é muito bonito em teoria, mas muito difícil de colocar em prática. O que fazer para conseguir ser uma bola completa?

    E mesmo que o conseguíssemos alcançar, seria muito difícil arranjar uma outra bola completa para ter uma relação. Ou íriamos nós, seres completos, os "tapa-buracos" de outrém?

    E se conseguíssemos ser uma bola completa continuaríamos a querer ter uma relação? Não me parece.

    Beijinhos querido Coach e aguardam-se os teus comentários.

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  5. Anúncio:

    Os Desabafos da Sofia mudaram-se para aqui:

    http://alguma-incontinencia-verbal.blogspot.com/

    beijinhos e abraçinhos

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  6. Ariops meninas deste blog :)

    Ginger: Sim. :)

    Rosinha: Fiz um post acerca do ser bola completa, mas espero que um próximo post acerca do Amor e do Medo te possa esclarecer melhor :)

    Destination: bem-vinda! :) Bom vejo várias premissas no teu post. Primeira: não existem bolas completas; segunda: se existissem não iriam querer relações; terceira: ninguém têm a sua bola completa enquanto estiver só; quarta: viver em função do outro é necessário. Espero que o post que fiz hoje te possa ajudar em relação à existência de bolas completas e ao porquê de elas continuarem a ter relações. A terceira é mais discutível, por um lado sim, por outro não. A quarta é - a meu ver - a "menos verdade". Não é algo que seja possível explicar aqui - também para esta questão - penso que o um futuro post acerca de Amor e Medo te poderá ajudar a compreender o meu ponto de vista. :)

    Querida Girl: A resposta à tua primeira pergunta está no post de hoje. Pelo menos a base ;) Não será muito difícil arranjar bolas completas para uma relação, normalmente espelhamos o que somos. Quando te mudas a Ti, mudas o teu mundo em tua volta. E isto não é só teoria, é o mais prático que podes imaginar. :) Sim, continuas a querer uma relação. Continuas a querer Amor. Não precisas da relação. Não estás dependente da relação. Mas continuas a querer e almejar Amor ;) Mais sobre isto no post que virá sobre Amor e Medo :)

    Sofia: many thanx pelo aviso :)


    Um abraço,

    The Love Coach

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  7. olá,
    Estou a gostar do site, vou passar por aqui mais vezes.
    Gostei do exemplo das bolas e concordo, foi a maneira mais clara que até hoje encontrei de definir-nos numa relação e como seres e vem de encontro com aquilo que há muito acredito e a vida fez o favor de me comprovar, temos sim de ser bolas completas para deixar que outra bola completa entre na nossa vida, é verdade há marcas, há passados, mas não podemos alimentar esses "buracos" temos que cicatrizá-los, porque senão vamos nos deparar com relacionamentos que não vão funcionar!
    é apenas a minha opinião.

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  8. Olá Coach…

    Começei a ler o teu site hoje e estou a a dorar.
    Eu penso que seja possível existirem bolas completas, isto é, um ser humano resolvido, com uma personalidade assente em bases sólidas, se saiba viver bem em comunhão consigo e o universo, sem grandes traumas, ou pelo menos que os saiba resolver e aprender sempre algo com os acontecimentos, se é que me faço entender.
    Para mim o segredo da vida reside na forma de sabermos viver bem connosco próprios para posteriormente podermos viver (igualmente) bem com os/aquilo que nos rodeia.
    O “problema” está em aquirirmos os conhecimentos para podermos completar estar primeira fase do segredo. =) Pois na adolescência, a fase mais crítica da formação da nossa personalidade, nem sempre temos os melhores guias, e ainda somos muito “tenros” para possuír nas nossas mãos as ferramentas necessárias para dar respostas mais adequadas e/ou benéficas aos obstáculos que se nos apresentam.

    Não é impossível sermos uma bola completa, pelo menos completa para nós próprios, sentirmo-nos bem connosco próprios, obedecendo aquelas regras básicas humanas e sociais... Existem sempre alguns obstáculos pelo meio que não respondemos da melhor forma por estupidez, falta de conhecimento, experiência, seja lá o que for, que vão fazendo os tais ditos buracos nas nossas bolas. Estes mesmo buracos não deixam de ser culpa nossa... pois nós é que estamos dentro da bolha que é a nossa vida, só não temos consciência da repercursão dos nossos actos em nós próprios futuramente.

    Pelo menos foi esta a ideia que absorvi quando te referias a bolas completas...

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  9. Tenho vindo a descobrir isso, sim.
    Mas ser uma bola completa incomoda. Principalmente quem gosta de sentir que é preciso para completar...
    Quanto à citação do Oscar, ele tinha uma opinião muitíssimo negativa sobre as mulheres. Esfínges sem segredos, era o que lhes chamava...
    (Aliás, fiquei tão impressionada com a má impressão de Wilde sobre a mulheres, que vou mesmo escrever sobre isso).

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  10. Ariops :)

    És tu: Parece-me que este foi o teu primeiro comentário por aqui, não foi? bem-vinda :) Possas tu também contribuir para este espaço com o teu conhecimento, experiência e sabedoria. Bem-hajas :)

    Shizuka: Eu espero que tu - mais que acreditar que é possível - te tornes num exemplo vivo dessa realidade. Acreditar ou não diz-me muito pouco. Serve para o mesmo. Não precisamos de acreditar, podemos Saber. eu acredito profundamente em elefantes. Já os vi, já lhes toquei, já tive uma experiência directa deles. Tem tu também uma experiência directa da felicidade e nunca mais terás que acreditar nela ;)

    Deidre: Alo :) É ser bola completa não é sempre muito confortável... mas continuo a defender que é a forma mais fantástica e aliciante de viver :) Obrigado pela partilha*


    Um abraço,

    The Love Coach

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  11. Faltou dizer que encontrar outras bolas, especialmente as que já estão completas, ajuda-nos a tornar-nos bolas completas. Mesmo q se afastem, a bola incompleta terá ficado com mais um buraco tapado, i. é, terá crescido.

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  12. OLÁ, OBGDA POR NOS DAR A OPORTUNIDADE DE EXPRESSARMOS NOSSAS OPINIÕES SOBRE DETERMINADOS ASSUNTOS. COM RELAÇÃO AO QUE VC FALOU SOBRE O GIANE, SÓ POSSO TE DIZER QUE FICARIA SURPRESO EM COMVERSAR COM ELE, E SE DAR CONTA DE QUE ESTAVA TOTALMENTE EQUIVOCADO. O QUE POSSO LHE AFIRMAR É QUE ELE É MTO MAIS DO QUE UM SIMPLES ROSTINHO BONITO NA TELEVISÃO E NÃO EXISTE NADA DE VAZIO DENTRO DELE. ELE TEM UMA PERCEPÇÃO SOBRE TUDO QUE ESTÁ A SUA VOLTA QUE MTOS NÃO TEM. É UM GENTLEMAN, SABE COMO SEDUZIR SOMENTE COM PALAVRAS OU APENAS PELA SIMPLICIDADE DO SEU SORRISO. NÃO PRECISA DE ALGUEM PARA SE SENTIR COMPLETO, NADA O PRENDE, E PRA ELE, PELO QUE SEI, NÃO HÁ NADA MAIS IMPORTANTE NO MUNDO DO QUE A LIBERDADE. ELE SABE O QUE PENSO A SEU RESPEITO, QTO O ADMIRO COMO ARTISTA E PRINCIPALMENTE, PELO SER HUMANO MARAVILHOSO QUE ELE DEMONSTRA SER. (A quem possa interessar!!) Atenciosamente: lú Oliver

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